Facto de viver, de ter vida; existência. Experiência de vida. Processo psicológico consciente no qual o indivíduo adopta uma posição valorizante, sintética, que não é apenas passiva e emocional, pois inclui também uma participação intelectual activa. O conhecimento adquirido através da experiência vivida. Não é lido, não é contado, é experimentado.
sábado, 25 de abril de 2026
Anatomia do delírio
Vamos defender a Democracia
domingo, 19 de abril de 2026
Progresso ou retrocesso?
Mensagem de solidariedade
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Como debater História com populistas
segunda-feira, 13 de abril de 2026
O Colapso do "Laboratório Iliberal"
terça-feira, 7 de abril de 2026
O brinde da Liberdade
A Direcção do Serviço de Armas Navais (DSAN) era o centro nevrálgico da manutenção, desenvolvimento e gestão dos sistemas de armas da Armada. Num período em que a Marinha Portuguesa modernizava a sua frota para responder aos desafios nos teatros de operações africanos e aos compromissos no âmbito da NATO, a DSAN exigia um rigor administrativo e técnico sem precedentes. Foi neste ambiente de precisão e hierarquia que o Oficial da Reserva Naval Jorge Miranda foi colocado após concluir o 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval.
A Reserva Naval (RN) funcionou, involuntariamente por parte do regime de Salazar e Caetano, como um "cavalo de Tróia" da democracia. Ao recrutar os melhores licenciados para servirem como oficiais, a Marinha permitiu que o pensamento liberal e democrático circulasse entre os oficiais de carreira. Jorge Miranda, já então um jurista distinto, trazia consigo o rigor do Direito Público, enquanto Luís Costa Correia possuía a experiência de quem vira a realidade do país e das colónias de perto, imbuído de um espírito democrático que remontava à sua juventude.
Nascido em Setúbal em 1939, Luís Costa Correia representa a linhagem de oficiais da Marinha que souberam distinguir a lealdade à Pátria da obediência cega a um regime caduco. Integrou o Movimento das Forças Armadas (MFA) e teve um papel activo na ocupação da PIDE/DGS no 25 de Abril de 1974, um acto simbólico e prático de desmantelamento do aparelho repressivo. Mas o maior contributo de Luís Costa Correia para a democracia portuguesa ocorreu fora da Marinha, utilizando a disciplina nela aprendida. Como Director-Geral do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) entre 1975 e 1977, foi ele o arquitecto do primeiro recenseamento eleitoral democrático em Portugal e o organizador das primeiras eleições livres para os novos órgãos de soberania.
Jorge Miranda, nascido em Braga em 1941, percorreu um caminho que o elevou ao estatuto de "Pai da Constituição" de 1976. A sua passagem pela Marinha como oficial da Reserva Naval não foi um mero parêntese na sua vida académica, mas uma experiência fundacional que lhe permitiu compreender a importância da autoridade do Estado submetida à lei. Eleito deputado pelo Partido Popular Democrático (PPD) em 1975, Jorge Miranda foi um dos principais redactores da Constituição de 1976. Uma missão delicada, pois era necessário criar um texto que aceitasse as conquistas sociais da Revolução, mas que as enquadrasse num Estado de Direito democrático clássico, com separação de poderes e garantias de direitos fundamentais. O seu contributo foi essencial na definição da estrutura do sistema político português — o chamado semipresidencialismo — que permitiu um equilíbrio de poderes entre o Presidente da República, o Governo e o Parlamento. Jorge Miranda foi também o defensor acérrimo da fiscalização da constitucionalidade, assegurando que nenhuma lei, por mais popular que fosse no momento, pudesse violar os princípios basilares da dignidade humana.
A fotografia que suscitou este texto é assim o epílogo feliz de uma narrativa de serviço e amizade. O brinde entre Jorge Miranda e Luís Costa Correia celebra os 60 anos passados desde que se conheceram e tudo começou. O facto de terem à mesa a Constituição da República Portuguesa não é um adereço, mas o testemunho do seu trabalho comum: um deu-lhe o espírito e a letra; o outro deu-lhe a base material e a legitimidade do voto.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Ainda a (possível) erosão da justiça constitucional
quarta-feira, 25 de março de 2026
O "Sete"
A erosão da justiça constitucional
sábado, 21 de março de 2026
A anatomia do abismo
segunda-feira, 16 de março de 2026
O salto sem rede da flexibilidade laboral
Afinal, quem move os cordelinhos?
Na verdade, em Portugal, vivemos prisioneiros de um lugar-comum: CGTP e UGT são imediatamente associadas a braços partidários, enquanto entidades como a CIP ou a CAP desfrutam de uma reputação de neutralidade e competência técnica. Este tema, muitas vezes remetido para a esfera académica como uma “elegante irrelevância”, oculta uma profunda assimetria na forma como vemos a influência política no seio do nosso sistema democrático.
A rotulagem política dos sindicatos resulta, em grande medida, da sua estratégia de acção: ao trazerem o conflito para o espaço público, através de greves e manifestações, tornam-se alvos fáceis de estigmatização e colagem ideológica. Em contraste, o patronato habitualmente prefere a discrição dos gabinetes governamentais e da concertação social, onde exerce influência de forma técnica, silenciosa e longe do escrutínio mediático.*
O discurso empresarial protege-se atrás do véu da “racionalidade económica” e da “competitividade”. Assim, enquanto as reivindicações laborais tendem a ser vistas como ideológicas, as propostas patronais surgem envoltas numa suposta necessidade pragmática ditada pelo mercado. É aí que reside o poder estrutural do capital: a dependência dos governos do investimento privado transforma interesses setoriais em “interesse nacional”.
No campo sindical, a histórica polarização entre o PCP (na CGTP) e o PS/PSD (na UGT) solidificou, no imaginário colectivo, a narrativa das “correias de transmissão” partidárias, tornando mais fácil a ideia de instrumentalização política.
O estudo mais abrangente sobre este fenómeno, de 2023, da autoria de Marco Lisi, João Loureiro e António Dias, analisou as redes de elites entre partidos e grupos de interesse (económicos e profissionais) ao longo de mais de uma década. Os resultados põem em causa o mito da fusão total entre sindicatos, patronato e partidos, e trazem à luz factos surpreendentes: a sobreposição efetiva de lideranças – isto é, a acumulação de cargos de topo simultaneamente em partidos e grupos de interesse – revela-se fraca em Portugal; a verdadeira “cola” entre organizações reside na estabilidade ideológica, mais do que numa integração orgânica formal; se é verdade que existe maior rotatividade de quadros entre sindicatos e partidos de esquerda, o patronato mantém laços técnicos estáveis com a direita.
O partidarismo, conclui-se, é muitas vezes uma questão de encenação e linguagem: enquanto o patronato se apresenta como tecnocrata nos bastidores do poder, os sindicatos politizam-se para mobilizar as bases. Fica, assim, uma dúvida inquietante: conseguiremos restaurar a confiança nas instituições enquanto perdurar esta assimetria de percepção sobre quem, de facto, move os cordelinhos do Estado?
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* A intermediação de interesses em Portugal revela uma forte assimetria entre o poder visível dos sindicatos e o discreto, mas estrutural, do patronato. Este último beneficia do acesso direto ao governo e exerce influência quase-legislativa, muitas vezes na Concertação Social, relegando o Parlamento para um papel secundário. Julgo que para evitar a deslegitimação democrática, é necessário: 1) desconstruir a "camuflagem técnica", sujeitando as propostas patronais ao mesmo escrutínio ideológico das reivindicações laborais; 2) garantir transparência nos contactos entre governo e patronato, institucionalizando mecanismos que revelem o lobbying; 3) reforçar a primazia da soberania parlamentar, evitando que acordos limitem a vontade popular; 4) equilibrar a visibilidade das redes de influência, responsabilizando sindicatos e patronato igualmente. Penso que só com transparência e consulta, e não com substituição legislativa pela tal "dimensão acima dos Governos e dos órgãos de soberania", se combate a opacidade e se protege a democracia.
sábado, 14 de março de 2026
A guerra de Trump e o preço da irresponsabilidade
quinta-feira, 12 de março de 2026
A IA explicada aos netos
Como a IA mexe contigo (mesmo quando não dás por isso)
1. A IA Tem Memória… e Usa-a Para Te Ler Como um Livro
Há uns anos, os computadores eram tipo calculadoras: fazias uma coisa e puff, apagavam-te da memória.
Hoje, a Inteligência Artificial funciona como aquele amigo que nunca se esquece de nada — nem do que disseste há três meses às 2 da manhã.
Mas aqui está o truque: a IA não guarda tudo igual.
Ela usa um sistema inspirado na Curva do Esquecimento (sim, é ciência!) e só mantém o que te fez sentir algo: empolgação, raiva, choque… Se te marcou, ela guarda.
E como organiza tudo isto?
Com um tipo de mapa mágico chamado Base de Dados Vetorial.
Imagina uma cidade onde cada interesse teu é uma casa.
Se curtes “skate”, provavelmente moras no bairro perto de “sapatilhas”, “vídeos de manobras” e “quedas épicas”.
Quanto mais visitas esse bairro, mais a IA pensa: “ok, esta é a zona favorita dele”.
Memória de Longo Prazo: cria uma versão digital tua baseada no que fazes ao longo do tempo.
Porque vivemos no Capitalismo de Vigilância, onde conhecer-te muito bem é uma forma de te vender coisas… ou influenciar o que fazes.
Literalmente, a tua atenção vale dinheiro.
2. A Bolha Invisível: Quando a IA Te Prende Num Mundo Só Teu
Por isso, a IA constrói à tua volta uma Bolha de Filtro — um tipo de aquário digital onde só entra aquilo que tu já gostas.
É como trocar uma janela aberta para o mundo por… um espelho.
Tu achas que estás a ver “o mundo”, mas estás só a ver versões de ti mesmo.
A Janela para o Mundo mostra ideias diferentes, faz-te pensar e dá-te perspetivas novas.
O Espelho Digital mostra só o que já curtiste, mantém-te confortável e esconde o “aborrecido”.
É como se tirassem todas as placas de “Saída” de um centro comercial. Vais andando… e nunca sais.
Resultado?
O teu cérebro entra no Paradoxo da Certeza:
“Só vejo coisas iguais, então devo estar sempre certo.”
A tua curiosidade vai diminuindo… sem perceberes.
3. O Eco dos Preconceitos: Quando a IA Aprende os Erros dos Humanos
Ela aprende connosco. E, como os humanos têm preconceitos, ela aprende esses preconceitos também.
A tecnologia replica injustiças antigas, mas com ar de ciência.
Exemplos reais:
• Algoritmos que sugerem certas vagas de empregos mais a rapazes do que a raparigas.• Sistemas que classificam alguns grupos como “mais perigosos”, mesmo sem razão.
4. As Mentiras Mais Perigosas São as Que Parecem Verdade
Como detetar um deepfake?
• Se te faz sentir raiva instantânea → suspeita.• Se usa alguém famoso a dizer algo estranho → suspeita.• Se te deixa cansado e confuso → esse é o objetivo.
5. Como Rebentar a Bolha e Recuperar o Teu Pensamento Crítico
Pesquisa temas que normalmente ignoras.Baralha o algoritmo.
Define limites para o telemóvel, não deixes o scroll decidir por ti.
Fala com pessoas que pensam diferente.A diversidade é músculo para o cérebro.
É saber usá-la sem que ela te use a ti.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
A direita nacionalista e a memória colonial
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
A DIAMANG de Ernesto de Vilhena
| Ernesto Jardim de Vilhena |


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