Facto de viver, de ter vida; existência. Experiência de vida. Processo psicológico consciente no qual o indivíduo adopta uma posição valorizante, sintética, que não é apenas passiva e emocional, pois inclui também uma participação intelectual activa. O conhecimento adquirido através da experiência vivida. Não é lido, não é contado, é experimentado.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2024
A prenda da Mafalda
domingo, 22 de dezembro de 2024
Ao Largo
quinta-feira, 14 de novembro de 2024
Os novos chefes de secretaria
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
As eleições nos EUA
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
A crónica da minha extinção
sexta-feira, 18 de outubro de 2024
As (contra)partidas da vida
terça-feira, 20 de agosto de 2024
O Diário de Notícias de New Bedford
sábado, 17 de agosto de 2024
O último adeus
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
"As Mãos dos Pretos"
“As Mãos dos Pretos” é um dos sete contos do primeiro livro de Luís Bernardo Honwana, “Nós Matámos o Cão Tinhoso”, editado pela Sociedade de Imprensa de Moçambique, em 1964. O livro foi logo apreendido pela PIDE.
Durante a minha infância em Moçambique, muitas vezes perguntei porque é que as palmas das mãos dos pretos eram mais claras do que o resto do corpo. E tal como o menino do conto, obtive as mais diversas respostas. Não me lembro das minhas, mas o menino do conto registou as do Senhor Professor, do Senhor Padre, da Dona Dores, do Antunes da Coca-Cola, do Senhor Antunes, do Senhor Frias, do livro que falava dos que apanhavam o algodão branco da Virgínia, da Dona Estefânia, mas nenhuma o satisfez.
sábado, 3 de agosto de 2024
"Rosas de Ermera"
terça-feira, 30 de julho de 2024
Farsa populista
sábado, 27 de julho de 2024
As Amigas
quinta-feira, 25 de julho de 2024
A cunha*
Ou a lei da vida segundo o Chefe da Casa Civil do Presidente da República
*Pessoa influente que pede em favor de outra com empenho. Empenho ou recomendação de pessoa importante ou influente. ("Cunha", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/cunha.)
quinta-feira, 11 de julho de 2024
"Land of Milk and Money"
sexta-feira, 5 de julho de 2024
O "Otimista" na Marinha
- Por princípio desconfio dos que invocam o interesse do Estado para estabelecer relações privilegiadas e por vezes obscuras com determinados fornecedores de serviços e equipamentos. Não sei se é o caso das aquisições dos drones, mas detectei alguns sinais preocupantes na forma como alguns dos entrevistados descreveram a relação da tal “empresa dentro da Marinha” com empresas externas;
- Sou dos que defendem que o brincar é uma bonita forma de as crianças aprenderem e evoluírem. Mas receio os adultos que se recusam a crescer e continuam a brincar com brinquedos cada vez mais caros, pagos por todos nós.
sábado, 29 de junho de 2024
Pedagogia do brincar
- Movimento das Galochas – EB1/JI José Jorge Letria (Cascais): aborda o brincar de uma forma curricular, transversal e complementar, proporcionando liberdade aos alunos para descobrir, explorar, desafiar e explorar a natureza como intervenientes e não como espetadores. O projeto contou com o envolvimento da comunidade escolar na fase de diagnóstico e no acompanhamento inicial e prevê a abertura da Escola à Comunidade.
- Projeto BEE – Bem-Estar na Escola – EB1+2 Dr. Anastácio Gonçalves (Alcanena): promove diversas oficinas criativas, em domínios como as Artes, a Escrita Criativa, a brincadeira livre com materiais diversos, educação física na natureza, atividades sensoriais e de relaxamento, atividades de ciências experimentais, visitas à comunidade. O projeto permite aos alunos experienciar uma grande variedade de experiências a brincar e envolve escola, família e comunidade.
- Brincar e aprender, à chuva, vento e sol! – EB1/JI de Estrada – Ferreiros (Braga): criar e manter uma horta escolar e ainda construir uma cozinha de lama, promovendo uma aprendizagem ativa, em que a criança vai aprendendo por tentativas, ultrapassando as dificuldades de forma independente, incentivando-se a desenvolver as suas próprias ideias, desenvolvendo o pensamento criativo e crítico.
- Escape Room Play & Learn – Centro Escolar de Alcobaça/Agrupamento de Escolas de Cister (Alcobaça): desenvolve uma ferramenta pedagógica em cenário de ‘Escape Room’ que desafia os alunos a trabalhar em equipa para desvendar enigmas, decifrar códigos e superar obstáculos.
- Clube do Poupas – Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo (Figueira de Castelo Rodrigo): promove a educação financeira de forma lúdica através de atividades interativas como simulações financeiras da vida real e gestão de orçamentos, jogos educativos e campanhas de sensibilização. São envolvidas as famílias, e utilizados indicadores de participação, feedback dos alunos e observações diretas para avaliar o impacto das atividades, o desenvolvimento das competências financeiras e o fortalecimento das relações intergeracionais.
- Executivo Júnior – EB1 Bairro Económico (Braga): consciencializar para a importância da democracia através da simulação durante 1 dia de uma assembleia composta por alunos, que simulam a atividade diária e tomadas de decisão da Junta de Freguesia local.
- EmocionArte – Centro Escolar de Santiago (Aveiro): cria uma história em cadeia com os alunos do Pré-escolar e 1º ciclo ao longo de todo o ano letivo, culminando na apresentação de um teatro de marionetas no final do ano, protagonizado pelos alunos. Envolveu toda a comunidade, e surgiu em resposta a um desafio da Câmara Municipal de Aveiro, precisamente sobre métodos inovadores de aprendizagem.
- Ciência Divertida: Saúl Dias Explora – Escola Básica Júlio-Saúl Dias (Vila do Conde): fomentar o gosto pela Ciência através do desenvolvimento de atividades de carácter prático, lúdico e experimental que ajudam as crianças/alunos a compreenderem e a aprenderem conceitos, nas áreas de Biologia, Geologia, Física e Química.
- MyMachine – Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos (Óbidos): integra as crianças do pré-escolar e 1º ciclo com os alunos do ensino profissional e universidade, em que as crianças propõem e elegem uma ideia de uma máquina para resolver um problema, que depois é construída pela universidade, numa colaboração que combina diversos agentes da comunidade.
- 4’Plays – Agrupamento de Escolas António Sérgio – EB1 do Marco (Vila Nova de Gaia): cativa os alunos para a aprendizagem através da resposta aos problemas que eles próprios identificam, com o objetivo de melhorar os seus resultados. Estão em implementação as diferentes atividades, incluindo a melhoria dos espaços de recreio, a tarde semanal do brincar na sala de aula, o convite às famílias para a construção de brinquedos e a biblioteca enquanto local para colocar as ideias em prática.
- Novo Modelo Local de AEC – Eira da Brincadeira (Município de Pampilhosa da Serra): Implementa atividades do programa de enriquecimento curricular (AEC). Este modelo envolve os alunos numa assembleia semanal, onde democraticamente se elege um presidente, secretários e votam nas atividades. Conta com apoio de alguns órgãos. No entanto, dá à criança um papel central na sua educação, promove diferentes atividades, e leva as crianças a procurarem outros caminhos na sua aprendizagem.
- Brincar na Rua – Academia de Música de Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia) menção honrosa: ensinar educação rodoviária através de um jogo de tabuleiro, numa primeira fase. Numa segunda fase, interligar os conceitos com as outras disciplinas e diversas atividades na rua. Por fim, é suposto que estas crianças integrem uma equipa de voluntariado que vai disseminar os conceitos aprendidos na restante comunidade. Os objetivos estão bem definidos, o projeto bem estruturado e pretende envolver toda a comunidade, fazendo das crianças agentes de mudança.
quarta-feira, 26 de junho de 2024
Ainda o passeio
domingo, 23 de junho de 2024
O bilhete de identidade de Silva Pais
sexta-feira, 14 de junho de 2024
A lição do Professor
terça-feira, 11 de junho de 2024
"Abril Hoje" na escola Fernão do Pó do Bombarral
sábado, 8 de junho de 2024
O poder colonial em Moçambique na década de 1950
Quando há uns anos publiquei pela primeira vez um texto sobre o relatório de 14 de Junho de 1958 do governador do distrito da Zambézia, o Inspector Administrativo Álvaro de Gouveia e Melo, para o governador-geral de Moçambique, o Capitão de Mar e Guerra Gabriel Teixeira, sobre as eleições presidenciais de 8 do mesmo mês, o meu amigo e conterrâneo António Sobrinho perguntou-me, compreensivelmente, se o documento fazia parte do espólio do meu Pai.
quinta-feira, 6 de junho de 2024
No centésimo aniversário do meu Pai
Saudades
Preocupava-o não o sermos.
Para ele a felicidade nada tinha de supérfluo.
Fazer os outros felizes, respeitá-los e ser fiel eram a sua forma de ser e estar na vida, a fórmula correcta para descobrir a felicidade.
O outro era o lado maravilhoso da vida, da sua vida.
O privilégio foi nosso.
O lado maravilhoso da sua vida fomos nós.
Foi assim que nos fez sentir desde sempre e até ao fim.
E é assim que nos sentimos hoje.
Vivemos com saudade.
Mas celebraremos a vida e a felicidade.
Por ele e por causa dele.”
As palavras são da neta Catarina.
As saudades são de todos nós.
terça-feira, 21 de maio de 2024
Melhorar o nosso mundo
Costumamos acabar as sessões do "Semear Abril" com esta imagem e a pergunta: "O que vais fazer para melhorar o teu mundo?" Normalmente não esperamos resposta porque o objectivo é apenas deixar o desafio aos jovens. Mas hoje, no último “Semear Abril” do 4º ano da EB1 Fausto Cardoso de Figueiredo, partimos dessa pergunta para que os alunos apresentassem propostas de melhoria do seu mundo, no caso a escola que estão prestes a deixar.
sábado, 11 de maio de 2024
Histórias da História
O recente livro da historiadora Luísa Tiago de Oliveira
sobre o caminho para o 25 de Abril na Armada tem suscitado comentários de
camaradas que questionam o rigor histórico de alguns depoimentos ou descrições
de episódios nele transcritos. Um deles é a descrição que o meu camarada e
amigo Martins Guerreiro faz da passagem da coluna das Caldas da Rainha pelo
Grupo nº1 de Escolas da Armada em Vila Franca de Xira (G1EA), em 16 de Março de
1974. Devo confessar que também estranhei a descrição do Guerreiro por não
coincidir com o que alguns dos principais intervenientes no episódio me
contaram. Por outro lado, penso que perdeu a oportunidade de referir o papel do
Pires Soeiro que tudo fez para que a força que comandou não se encontrasse com
a coluna do Regimento de Infantaria 5 da Caldas da Rainha, assim como do Manuel
Begonha e do Ramiro Correia que avisaram o Comandante que não devia interferir.
Posteriormente, o Martins Guerreiro esclareceu: “… quando
falei com a Luísa o essencial era assinalar que nós não tínhamos cumprido a
ordem de interceptar a coluna das Caldas. Voltei a falar com o Soeiro e ele
explicou me que estacionou a força junto à Praça de Touros e dali viu passar a
coluna na autoestrada no regresso para as Caldas. Quanto à detenção do Comandante
da Escola não tem memória disso , mas a ordem de saída da força para
interceptar a coluna das Caldas foi dada pelo Comandante da unidade que a tinha
recebido do EMA , isto segundo o Soeiro; se a detenção do Comandante foi depois
de constituída a força e ele sair , naturalmente o Soeiro não esteve envolvido
nem tem memória. As minhas memórias resultam de relatos iniciais do Lobo de
Oliveira e do Soeiro e relatos mais tarde do Oliveira Monteiro e do Begonha.”
O que conheço do que se passou no G1EA, no dia 16 de Março
de 1974, resultou das várias conversas com intervenientes que merecem a máxima
confiança e resume-se a isto: O Comandante do G1EA terá mandado o pessoal de
serviço constituir uma força para interceptar a coluna das Caldas, muito
provavelmente cumprindo ordens superiores. O Pires Soeiro assumiu o comando da
força do G1EA logo que esta foi constituída e levou-a para junto da Praça de
Touros de Vila Franca de Xira onde aguardou calmamente que a coluna do Exército
passasse pela autoestrada. Não terá assim havido qualquer contacto entre a
força comandada pelo Soeiro e a coluna do Regimento de Infantaria 5 das Caldas
da Rainha. Entretanto, o Begonha e o Ramiro Correia, numa reunião dos oficiais
ligados ao Movimento terão sido mandatados para falar com o Comandante e
aconselhá-lo a ficar no seu gabinete e não intervir, não tendo ele oferecido
resistência. No dia seguinte, o Comandante terá chamado o Begonha e comunicado
que iria apanhar dez dias de prisão, mas uns dias depois terá voltado a
chamá-lo para dizer que o castigo ficava sem efeito. O Begonha não sabe quem
terá revertido a decisão, mas admite que tenha sido o próprio Governo para não
hostilizar a Marinha.
Embora esteja convencido de que o que conheço do episódio
não se afasta muito da realidade, não estou certo que seja a versão historicamente
correcta. A experiência de dez anos a tentar descobrir o que efectivamente
aconteceu na conspiração e nas operações militares em que não participei para
contar aos jovens das escolas, tem sido frustrante e já me habituei a contentar
com as aproximações mais ou menos verosímeis que vou recolhendo dos vários
intervenientes (a memória é muito traiçoeira…).
Um outro exemplo dessa frustração e de algum modo relacionado com o 16 de Março, é a libertação do Forte da Trafaria dos oficiais implicados no golpe falhado, no dia 25 de Abril. Segundo o testemunho do colectivo da Escola Prática de Artilharia (EPA) de Vendas Novas transcrito na página 404 do excelente livro “Operação Viragem Histórica” do Carlos Contreiras, a Companhia de Artilharia Motorizada (CART) comandada pelo Cap. Mira Monteiro e de que fazia parte o Ten. Andrade da Silva, “às 15.15 horas, recebeu a missão de se deslocar à Trafaria a fim de libertar os oficiais pertencentes ao Movimento; esta missão foi integralmente cumprida pela libertação de 11 Oficiais ali detidos.” Ainda segundo o mesmo testemunho, “os Oficiais libertados, escoltados por forças da CART seguiram para Lisboa.” No testemunho do colectivo da EPA de Vendas Novas não há qualquer referência aos fuzileiros navais.
No entanto, na página 552 do mesmo livro, o meu camarada
Vargas de Matos testemunhou que no dia 25, o Destacamento de Fuzileiros
Especiais (DFE) que comandava, depois de regressar da primeira saída para
Lisboa e do pessoal ter comido uma refeição ligeira na Força de Fuzileiros do
Continente, se juntou à força de Artilharia posicionada no Cristo Rei, “que
recebeu o DFE sem qualquer problema.” E acrescentou: “Próximo das 1600 o
Posto de comando do MFA atribui-nos a missão de ir ao Forte da Trafaria
libertar os oficiais presos na sequência do 17 do Março-Caldas da Rainha.
Utilizando os transportes de Artilharia, seguiram para o Forte meio Corpo de
Combate do DFE (10 homens) e um Asp/Alf de Artilharia com as viaturas. Esta
força regressou posteriormente transportando os oficiais detidos”. No artigo
que assinou no número 594, de Abril de 2024, da Revista da Armada comemorativo
dos 50 anos do 25 de Abril, o Almirante Vargas de Matos reafirmou: “Entretanto
Meio Grupo de Combate do Destacamento com militares da Bataria de Artilharia
tinha ido ao Forte da Trafaria e libertara os Oficiais do Movimento das Caldas,
ali detidos.”
Mas em 30/04/2018, o já então Coronel Andrade da Silva, numa
entrevista em Vieira do Minho, disse o seguinte
sobre o mesmo episódio: “… e também tivemos a ambiguidade dos fuzileiros
navais, porque nem tudo… há aqui uma coisa, isto a história está por contar… há
muita camuflagem, a atitude dos fuzileiros navais foi muito ambígua. Nós
recebemos ordens para deter a todo o custo os fuzileiros navais, quando
passassem ali na ponte, se não fizessem um determinado sinal. Eles fizeram esse
sinal, passaram. Mas depois regressaram outra vez ao Cristo Rei e tentaram,
eles disseram que mandados pelo Pinheiro de Azevedo, há aqui uma certa
ambiguidade, e tentaram desalojar-nos de lá pela via negocial. O que é que
vocês estão aqui a fazer? Isto em termos militares, aquilo a que se chama as
zonas de acção, esta área pertence mais à nossa zona de acção, à escola de
fuzileiros navais, não é de Vendas Novas, o que é que vocês estão aqui a fazer?
E nós aí dissemos: - Não, nós estamos aqui a fazer, estamos a cumprir ordens do
OSCAR que era o Otelo, a Pontinha, e daqui só saímos com ordens dele, portanto,
vocês vão à vossa vida. E foram.” E quanto à Trafaria, disse que “depois
tivemos de ir libertar os nossos camaradas à Trafaria, que também estavam
presos.” De novo, o oficial da EPA não fez qualquer referência à participação
dos fuzileiros na libertação dos oficiais do Exército presos no Forte da
Trafaria.
Parafraseando uma expressão popular, não é fácil ser historiadora nesta freguesia!















