Facto de viver, de ter vida; existência. Experiência de vida. Processo psicológico consciente no qual o indivíduo adopta uma posição valorizante, sintética, que não é apenas passiva e emocional, pois inclui também uma participação intelectual activa. O conhecimento adquirido através da experiência vivida. Não é lido, não é contado, é experimentado.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
Escravos "canários"
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Uma amarga prenda de aniversário
Na qualidade de Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, numa intervenção na sessão da Assembleia Municipal de Oeiras do passado dia 18, difundida em directo para todo o mundo através da Internet, decidiu tecer insinuações caluniosas sobre o projecto “Edifício Arte Contínua” (EAC) e sobre a associação cultural sem fins lucrativos “Colectivo a Postos” (CAP), de que sou membro fundador e cujos órgãos sociais integro, e que o dinamiza no antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa - PVDEPL desde 2018.
Dando a entender que a CMO só foi convidada a ter um papel activo na utilização e conservação do edifício do antigo PVDEPL depois do protocolo que assinou com o Ministério da Defesa Nacional em Outubro de 2019; que desconhece o papel dos serviços da CMO na concepção e arranque do projecto EAC em 2018; que não teve conhecimento da intervenção realizada pelo CAP e pelos seus parceiros, na fase inicial com o apoio da CMO, para a recuperação do edifício e do espaço envolvente depois de uma década de abandono, saque, vandalismo e ocupação com práticas degradantes; que não sabe que a CMO foi informada de todas as iniciativas e propostas para que o projecto EAC e as suas iniciativas tivessem a mais ampla participação de todas as entidades públicas, privadas, de solidariedade social e associativas do Concelho de Oeiras, incluindo a própria CMO; que desconhece que nada foi realizado no edifício do antigo PVDEPL sem conhecimento do proprietário e da CMO; que ignora que depois do CAP ter tido conhecimento, através das redes sociais, da assinatura do protocolo com Ministério da Defesa Nacional, se reuniu com a presidência da CMO para discutir e definir o futuro do projecto EAC; que desconhece que o responsável pela cultura da CMO informou o CAP que o EAC poderia permanecer no edifício do antigo PVDEPL até Junho de 2020; o Vice-Presidente da CMO resolveu tecer publicamente uma série de considerações surpreendentes sobre o projecto EAC e a associação CAP que o dinamiza, considerações essas que, no mínimo, considero caluniosas.
Depois de uma vida e de uma carreira profissional que procurei que fosse exemplar como cidadão, militar, democrata e homem de bem, foi preciso chegar aos setenta anos para que um político que tem idade para ser meu filho e não me conhece de lado nenhum, ouse insinuar publicamente, entre outros dislates, que não cumpro as regras e a lei; que fiz um “gato” ou baixada eléctrica da rede pública, que roubo água sabe-se lá de onde e que ocupo ilegalmente um edifício público, sem autorização do proprietário, no caso o Ministério da Defesa Nacional.
E o problema é que as insinuações caluniosas do Vice-Presidente da CMO não atingiram só a mim, atingiram também as minhas filhas, os meus amigos e os inúmeros cidadãos que comigo e, principalmente, com as minhas filhas, se têm esforçado para, a expensas próprias, voluntariamente, com sacrifício dos tempos livres e sem nenhuma contrapartida financeira ou de qualquer outra natureza, num acto singelo de cidadania, contribuir para a construção de uma sociedade melhor.
Quanto à alegada surpresa do representante do Ministério da Defesa Nacional, iremos esclarecer junto dos respectivos serviços.
Quanto às insinuações caluniosas do senhor Emanuel Francisco dos Santos Rocha de Abreu Gonçalves, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, aguardo que apresente em sede própria as provas do que insinuou na sessão pública da Assembleia Municipal de Oeiras ou que, caso se tenha tratado de um gesto irrefletido, apresente um pedido público de desculpas à associação “Colectivo a Postos” e a todos os que com ela têm lutado desinteressadamente pelo projecto “Edifício Arte Contínua.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
"As mãos de Abraão Zacut"
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
A expansão marítima e a Inquisição
| Tabela astronómica do “Almanach Perpetuum” de Abraão Zacuto |
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Dar a morte não é matar
| Acherontia atropos ou Borboleta-caveira |
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
O Cravo da Índia
Hoje fui a uma escola secundária fazer uma das coisas de que mais gosto: partilhar ideias e reflexões com jovens. Desta vez contei a história d’O Cravo da Índia ou da aventura de Fernão de Magalhães, de Juan Sebastián Elcano e de muitos outros.
Falei das realizações científicas e tecnológicas portuguesas do século XV. Falei dos descobrimentos como o processo de obter o conhecimento de algo anteriormente desconhecido, de determinar a forma de vencer o medo e navegar mares que não haviam sido navegados antes e fornecer sobre eles informações náuticas precisas.
Falei da natureza laboriosa e organizada do esforço dos portugueses e das dificuldades da descoberta. Falei do modo como os marinheiros e cartógrafos portugueses alteraram a maneira de ver o mundo, de como os portugueses o reinventaram, de como imaginaram o globo de uma forma nova, a forma como o conhecemos hoje.
Falei de como a tolerância relativamente aos outros povos e religiões permitiu o maior legado dos portugueses do século XV: serem capazes de adaptar e enriquecer a herança científica helénica, islâmica e judaica para resolver os problemas da navegação no mar alto. E falei de como, depois, a intolerância da Inquisição e do Estado destruiu as conquistas de quase um século e a liderança científica e tecnológica de Portugal. Falei de como o saber acumulado, a ciência e as tecnologias que os portugueses haviam desenvolvido foram entregues de mão beijada aos navegantes espanhóis, ingleses e holandeses.
E no fim dei por mim a pensar que os navios portugueses que então sulcaram os mares não deixaram uma marca permanente na face da terra, nem mesmo os seus destroços e os mortos que jazem no fundo dos oceanos; que as medições da altura do Sol e dos outros astros não deixaram traços visíveis; que as linhas que dividiram o mundo não existem senão na nossa mente e na nossa imaginação. O ruído do vento, os sons da faina das velas, o ranger da madeira, as vozes dos homens, tudo se foi.
O imenso legado dos portugueses do século XV está hoje nas estrelas do céu e, ocasionalmente, nas embarcações que navegam cá em baixo com jovens como aqueles com quem hoje falei.

