que a Câmara Municipal de Oeiras só foi convidada a ter um papel activo na utilização e conservação do edifício do antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa depois do protocolo que assinou com o Ministério da Defesa Nacional, em Outubro de 2019;
que desconhecia o papel dos serviços da Câmara Municipal de Oeiras na concepção e no arranque do projecto Edifício Arte Contínua, em 2018;
que não teve conhecimento da intervenção realizada pelo Colectivo a Postos e pelos seus parceiros, na fase inicial e com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, para a recuperação do edifício e do espaço envolvente, depois de uma década de abandono, saque, vandalismo e ocupação com práticas degradantes;
que não sabia que a Câmara Municipal de Oeiras foi informada de todas as iniciativas e propostas para que o projecto Edifício Arte Contínua e as suas actividades tivessem a mais ampla participação de todas as entidades públicas, privadas, de solidariedade social e associativas do concelho de Oeiras, incluindo a própria Câmara Municipal de Oeiras;
que desconhecia que nada foi realizado no edifício do antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa sem conhecimento do proprietário e da Câmara Municipal de Oeiras;
que ignorava que a direcção do Colectivo a Postos, depois de ter conhecimento, através das redes sociais, da assinatura do protocolo com o Ministério da Defesa Nacional, se reuniu com a presidência da Câmara Municipal de Oeiras para discutir e definir o futuro do projecto Edifício Arte Contínua;
que desconhecia que o responsável pela cultura da Câmara Municipal de Oeiras informou o Colectivo a Postos de que o projecto Edifício Arte Contínua poderia permanecer no antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa até Junho de 2020.
Facto de viver, de ter vida; existência. Experiência de vida. Processo psicológico consciente no qual o indivíduo adopta uma posição valorizante, sintética, que não é apenas passiva e emocional, pois inclui também uma participação intelectual activa. O conhecimento adquirido através da experiência vivida. Não é lido, não é contado, é experimentado.
terça-feira, 24 de junho de 2025
Edifício Arte Contínua - Memória
Na prática, após a assinatura do protocolo com o Ministério da Defesa Nacional e o convite público ao Dr. Boiça para coordenar o “Centro de Interpretação dos Fortes de Defesa da Linha de Costa aqui de Lisboa, no dito Forte do Areeiro, que não é forte...”, em 19 de outubro de 2019, a Câmara Municipal de Oeiras comprometeu-se a manter o estado em que o edifício lhe foi entregue pela associação cultural Colectivo a Postos, em junho de 2020, depois da interrupção do projecto Edifício Arte Contínua, que o vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, numa intervenção na sessão da Assembleia Municipal de Oeiras de 18 de Fevereiro de 2020, desvalorizou e caluniou.
Esse autarca, Emanuel Francisco dos Santos Rocha de Abreu Gonçalves, na intervenção transmitida em directo para todo o mundo através da Internet, decidiu tecer considerações sobre o projecto Edifício Arte Contínua e sobre a associação cultural sem fins lucrativos Colectivo a Postos, de que fui membro fundador e cujos órgãos sociais integrei, que dinamizou o antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras afirmou ou deu a entender:
Apesar de tudo o que sabia — ou devia saber —, o vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras resolveu tecer publicamente considerações surpreendentes sobre o projecto Edifício Arte Contínua e sobre a associação Colectivo a Postos que o dinamizava, considerações essas falsas ou caluniosas.
Depois de uma vida e de uma carreira profissional que procurei que fossem exemplares, como cidadão, militar, democrata e homem de bem, foi preciso chegar aos setenta anos para que um político com idade para ser meu filho, e que não me conhecia de lado nenhum, ousasse insinuar publicamente, entre outros dislates, que não cumpri as regras nem a lei; que fiz uma “ligação clandestina” à rede eléctrica pública; que roubei água, sabe-se lá de onde; e que ocupei ilegalmente um edifício público, sem autorização do proprietário, neste caso o Ministério da Defesa Nacional.
E o problema é que as insinuações caluniosas do vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras não atingiram apenas a mim. Atingiram, em especial, as minhas filhas, os meus amigos e os inúmeros cidadãos que comigo e, sobretudo, com as minhas filhas, se esforçaram para, num acto singelo e desinteressado de cidadania, prestar um serviço à comunidade e contribuir para a construção de uma sociedade melhor.
Posteriormente, em Maio de 2021, ano de eleições autárquicas, a Câmara Municipal de Oeiras promoveu a exposição 'Fortificações de Oeiras - Património do Tejo e do Mundo' no Centro Cultural no Centro Cultural Palácio do Egipto. Constatei então que a imagem do que antes era uma quase ruína e fora recuperado por iniciativa da associação Colectivo a Postos serviu para uma operação de propaganda do executivo camarário. Nela foi anunciado que edifício seria o "núcleo central" de um futuro “Museu do Tejo”.
Mas, malgrado os discursos dos responsáveis da Câmara Municipal de Oeiras, hoje, mais de cinco anos depois de a Câmara ter assumido a guarda do antigo Posto de Vigilância e Defesa da Entrada do Porto de Lisboa e posto fim ao projeto Edifício Arte Contínua, a realidade é bem diferente da prometida.
O edifício militar, primeiro bateria e depois posto de vigilância ao longo do século XX, foi abandonado, vandalizado, saqueado e ocupado por marginais durante boa parte da segunda década do século XXI. Por iniciativa da associação Colectivo a Postos e na sequência de um acordo com o Ministério da Defesa Nacional, o edifício foi reabilitado no âmbito do projecto Edifício Arte Contínua.
Dinamizado por cidadãos que, voluntariamente, com sacrifício do seu tempo livre e sem qualquer contrapartida financeira ou outra, o projecto Edifício Arte Contínua recuperou o espaço e realizou uma impressionante série de eventos culturais com a participação de muitas centenas de jovens e adultos.
Em Outubro de 2019, o edifício estava caiado de amarelo por fora e de branco por dentro. Tinha 25 chaves de portas, espaços e salas limpas e recuperadas por miúdos e graúdos. Guardava mais História do que antes.
Durante um ano, foi uma “casa que não se quis margem, mas antes convergência, encontro e centro”, vivida na recuperação, na preparação das iniciativas mensais e nas contribuições de todos os que ali criaram e deram de coração. Permitiu que centenas de alunos encontrassem os poetas à beira-mar. Abriu as portas à fruição do teatro, da literatura, da pintura, da escultura, da ilustração, da música e da arte, por todos os que quiseram entrar. Sentiu o mar e ensinou a navegá-lo. Celebrou a liberdade, a cidadania e o 25 de Abril.
Com a assinatura do protocolo entre o Ministério da Defesa Nacional e a Câmara Municipal de Oeiras, terminou o projecto Edifício Arte Contínua. E, cinco anos depois de o espaço ter sido entregue à guarda da Câmara Municipal de Oeiras, voltou a estar abandonado, degradado e vandalizado. Desta vez, ainda mais do que antes.
Vale a pena espreitar o edifício, quase irreconhecível, com janelas e portas emparedadas, junto à Marginal, a oeste da praia de Santo Amaro de Oeiras, entre o parque de estacionamento automóvel e o Forte de Santo Amaro ou do Areeiro. Terão oportunidade de constatar a degradação de um património público que um dia foi motivo de orgulho para os muitos adultos, jovens e crianças que viveram o sonho do projecto Edifício Arte Contínua.
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